[Artigo] Conceitos sobre segurança do paciente

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Lucas Garcia

22/08/2018

O Instituto de Medicina (IOM) dos EUA incorporou a “segurança do paciente” como um dos seis atributos da qualidade, juntamente com a efetividade do cuidado, a centralidade no paciente, a oportunidade do cuidado, a eficiência e a equidade.

O IOM define qualidade do cuidado como um grau em que os serviços de saúde, voltados para cuidar de pacientes, aumentam a chance de produzir os resultados desejados e são consistentes com o conhecimento profissional atual.

 

A Organização Mundial da Saúde (OMS) em 2004, devido à preocupação com a situação sobre a segurança do paciente, criou a World Alliance for Patient Safety. Os objetivos desse programa (atualmente chamado de Patient Safety Program) eram, entre outros, organizar os conceitos e as definições sobre segurança do paciente e propor medidas para reduzir os riscos e controlar os eventos adversos.

Para entender e fundamentar a importância sobre a temática segurança do paciente é necessário compreender alguns conceitos. A OMS definiu alguns conceitos – chave da Classificação Internacional de Segurança do Paciente.

Abordando o conceito de incidente, sabemos que se trata de um evento ou circunstância que poderia ter resultado, ou resultou, em um dano desnecessário ao paciente. A palavra “desnecessário” significa implicitamente que erros, transgressões, abuso de pacientes e atos deliberadamente perigosos podem ocorrer em cuidados de saúde.

 

Os incidentes classificam-se como: near miss (incidente que não atingiu o paciente), incidente sem dano (evento que atingiu o paciente, mas não causou dano discernível) e incidente com dano ou EA (incidente que resulta em dano ao paciente).

 

O impacto do incidente ou evento adverso também deverá ser classificado quanto a sua gravidade, ou seja, “grau do dano”. Seguem abaixo as definições:

  • NENHUM: não houve nenhuma consequência para o paciente.
  • LEVE: o paciente apresentou sintomas leves, danos mínimos ou intermediários de curta duração sem intervenção ou com uma intervenção mínima (pequeno tratamento ou observação).
  • MODERADO: o paciente necessitou de intervenção (exemplo: procedimento suplementar ou terapêutica adicional), prolongamento da internação, perda de função, danos permanentes ou em longo prazo.
  • GRAVE: necessária intervenção para salvar a vida, grande intervenção médico-cirúrgica ou casou grandes danos permanentes ou em longo prazo; perturbação/risco fetal ou anomalia congênita.
  • MORTE: que foi causada pelo evento adverso.

De acordo com o pesquisador Valter Mendes alguns termos dificultam classificação correta dos incidentes nas instituições de saúde. Ele relata que o principal motivo é a tradução incorreta para o português.

Um termo que gera muita dúvida na utilização é o near miss. No manual da JCI, em sua versão português, é definido como quase erro. Essa tradução gera dúvida, pois o erro existiu, mas não se concretizou no paciente. Em Portugal, na tradução do documento da OMS realizada pelo Ministério da Saúde, near miss também aparece como quase erro. Para Valter, a melhor maneira de conceituar esse termo é como um incidente que não atingiu o paciente.

Já o termo evento sentinela, utilizado pela JCI no último manual Padrão de Acreditação da Joint Commission International (JCI) para Hospitais, trata-se de uma ocorrência inesperada que leva à morte ou perda grave e permanente de função.

 

Referências

1) Brasil. Agência Nacional de Vigilância Sanitária – ANVISA. Implantação do Núcleo de Segurança do Paciente em Serviços de Saúde. Série Segurança do Paciente e Qualidade em Serviços de Saúde. Brasília; 2013.

2) BRASIL. AGÊNCIA NACIONAL DE VIGILÂNCIA SANITÁRIA – ANVISA. Assistência Segura: Uma Reflexão Teórica Aplicada à Prática. Série Segurança do Paciente e Qualidade em Serviços de Saúde. Brasília, 2013.

3) Organização Pan-Americana de Saúde, Ministério da Saúde, Agência Nacional de Vigilância Sanitária. Manual Cirurgias Seguras Salvam Vidas. Brasília, 2010.