[Artigo] Cultura de Segurança

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Lucas Garcia

22/08/2018

De acordo com o Ministério da Saúde, o Programa Nacional de Segurança do Paciente possui quatro eixos: o estímulo para uma prática assistencial segura; o envolvimento do indivíduo na segurança; a inclusão do tema no ensino; e o incremento de pesquisa sobre o tema. A cultura de segurança do paciente é o elemento que perpassa todos esses eixos.

Segue abaixo uma figura com os conceitos de cultura sobre segurança do paciente, de acordo com a OMS.

Com o avanço da medicina, os cuidados de saúde estão cada vez mais complexos e com isso elevam o potencial para ocorrência de incidentes, erros ou falhas. Nesse cenário, a cultura de segurança se torna importante, visto que reflete o comprometimento dos profissionais da instituição com a promoção contínua de um ambiente seguro.  A cultura de segurança poderá ser percebida através da comunicação aberta, trabalho em equipe, reconhecimento da dependência mútua e o aprendizado contínuo12. Com o avanço da medicina, os cuidados de saúde estão cada vez mais complexos e com isso elevam o potencial para ocorrência de incidentes, erros ou falhas. Nesse cenário, a cultura de segurança se torna importante, visto que reflete o comprometimento dos profissionais da instituição com a promoção contínua de um ambiente seguro.  A cultura de segurança poderá ser percebida através da comunicação aberta, trabalho em equipe, reconhecimento da dependência mútua e o aprendizado contínuo.

A Health and Safety Comission conceituou como cultura de segurança o produto de valores, atitudes, competências e padrões de comportamento individuais e de grupo, que determinam o compromisso, o estilo e proficiência da administração de uma instituição saudável e segura.

Em uma instituição, a cultura de segurança pode apresentar graus diversos de maturidade e progredir através de cinco estágios ao longo do tempo (Hudson 2003). Segue abaixo:

Cultura “patológica” – grau inferior de maturidade, a segurança é vista como um problema causado pelos trabalhadores.
– Cultura “reativa” – a organização começa a considerar a segurança com maior seriedade, mas as ações são tomadas apenas após a ocorrência de incidentes.
– Cultura “calculada” – a segurança é gerenciada, mas as abordagens são verticalizadas, com sistemas de gerenciamento/gestão de risco e foco na coleta/recolha de dados.
– Cultura “proativa” – há um número maior de profissionais envolvidos no sentido de identificar e trabalhar os problemas de segurança, antecipando-se a ocorrência de incidentes.
– Cultura “geradora”’ – e, por fim, no grau de maturidade mais elevado, há a participação de todos os níveis da organização, com aumento da confiança.

Na RDC n°. 36/2013, a cultura de segurança é definida como “conjunto de valores, atitudes, competências e comportamentos que determinam o comprometimento com a gestão da saúde e da segurança, eliminando a culpa e a punição pela oportunidade de melhoria e de aprender com as falhas”.

A Portaria n°. 529/2013 trata a promoção da cultura de segurança na instituição, com ênfase no aprendizado e aprimoramento organizacional, engajamento dos profissionais e dos pacientes, na prevenção de incidentes, evitando-se os processos de responsabilização individual, como uma das estratégias de implementação do PNSP.

Para a manutenção e melhoria da cultura de segurança nos serviços de saúde, é necessários atingir alguns pontos como: desenvolver as lideranças, envolver os líderes no processo de melhoria contínua e disseminar as estratégias formuladas.

As estruturas de liderança devem ser estabelecidas com a intenção de sensibilizar, responsabilizar, habilitar e agir em favor da segurança de cada um dos pacientes atendidos. Outras ações são fundamentais para fomentar a cultura de segurança como:

– Realização periódica de avaliação da cultura de segurança, utilizando-se questionários validados que abrangem as várias dimensões que compõem a cultura de segurança.

– Divulgar os resultados aos profissionais e gestores para a implementação local de medidas de melhoria necessárias.

– Promover trabalho em equipe, com um enfoque proativo, sistemático e organizacional de trabalho, contribuindo para a construção de habilidades profissionais e melhoria dos desempenhos das equipes para a redução de danos preveníveis.

– Identificar e controlar os riscos e perigos, identificando e reduzindo os riscos e perigos relacionados com a segurança do paciente, por meio de um enfoque contínuo de redução dos danos preveníveis.

– Possuir uma metodologia de vigilância e monitoramento para identificar os prováveis problemas de segurança do paciente, reforçando a importância do acompanhamento dos indicadores.

 

Referências

1) Brasil. Agência Nacional de Vigilância Sanitária – ANVISA. Implantação do Núcleo de Segurança do Paciente em Serviços de Saúde. Série Segurança do Paciente e Qualidade em Serviços de Saúde. Brasília; 2013.

5) Ministério da Saúde. Portaria n. 529, de 1º abril de 2013. Diário Oficial da União, 2013.

6) Coren-SP/Rebraensp/SP. Conselho Regional de Enfermagem do Estado de São Paulo. Rede Brasileira de Enfermagem e Segurança do Paciente. Erros de medicação: definições e estratégias de prevenção. São Paulo, 2011.

11) Wachter RM. Understanding patient safety. 2nd ed. New York: McGraw-Hill; 2012.

12) Institute for Healthcare Improvement [IHI]. How-to guide: prevent adverse drug events by implementing medication reconciliation. Cambridge, MA: Institute for Healthcare Improvement; 2011.