[Artigo] Prevenção de lesão por pressão

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Lucas Garcia

22/08/2018

Segundo os dados da National Pressure Ulcer Advisory Panel (NPUAP) nos EUA, a prevalência de UPP em hospitais é de 15% e a incidência é de 7%. No Reino Unido, casos novos de lesão por pressão acometem entre 4% a 10% dos pacientes admitidos nos serviços de saúde.

A importância da manutenção na integridade da pele dos pacientes acamados, restrito ao leito deve possuir atenção e avaliação de risco para traçar ações de prevenção da lesão na pele. Segundo o manual de prevenção de lesão por pressão do Ministério da Saúde, a maioria das recomendações para avaliação da pele e as medidas preventivas podem ser utilizadas de maneira universal, ou seja, tem validade tanto para a prevenção de lesão por pressão como para quaisquer outras lesões da pele.

Atualmente, existem mais de 40 diferentes ferramentas ou escalas de avaliação do risco de lesão por pressão. As mais conhecidas são as de Braden, Norton e Warterlow.

A escala de Waterlow e Braden são mais adequadas para avaliar pacientes internados nas instituições de saúde. A Escala de Braden é a mais utilizada mundialmente, tanto nas instituições de saúde para fins de pesquisas como na prática clínica, inclusive é recomendada pela Wound, Ostomy and Continence Nurses Society e Registered Nurses Association of Ontario/Canadá.

A escala de Braden é composta por seis áreas, sendo elas: percepção sensorial, mobilidade, atividade, umidade, nutrição, fricção e cisalhamento. Cinco dessas áreas são pontuadas de 1 a 4, exceto fricção e cisalhamento com pontuação de 1 a 3. Cada área é acompanhada por uma breve descrição dos critérios que deverão ser considerados pelos avaliadores, conforme suas avaliações clínicas.

As recomendações quanto à frequência da avaliação para locais específicos também foram descritas por Braden. Em uma UTI o paciente deverá ser avaliado na admissão, novamente em 48 horas e, depois, a cada dia. Para uma unidade de clínica médica e cirúrgica, na admissão e a cada dois 48 horas; em instituições de longa permanência, na admissão e a cada 48 horas na primeira semana, semanal no primeiro mês e mensalmente por quatro meses ou quando houver alteração no estado de saúde; e em Home Care, na admissão e a cada visita domiciliária.

Recentemente a National Pressure Ulcer Advisory Panel (NPUAP) anuncia uma mudança na terminologia de úlcera de pressão para lesão por pressão e atualiza os estágios de lesão por pressão.

Para classificar de forma padronizada foi elaborado um Protocolo de Prevenção de lesão por pressão pelo Ministério da Saúde. Consideram-se as seguintes definições:

Novas classificações:

Lesão por pressão não estadiável

Lesão profunda por pressão

Lesão por pressão relacionada à dispositivo.

Obs: Essa lesão também deverá ser possibilitado o estadiamento.

Lesão por pressão em mucosa/membrana.

 

Definições:

Lesão por Pressão:
Uma lesão pressão leva a um dano à pele e / ou tecido mole subjacente geralmente sobre uma proeminência óssea ou relacionada com um dispositivo médico ou outro. A lesão pode apresentar pele intacta ou uma úlcera aberta e pode ser doloroso. A lesão ocorre como um resultado da intensa pressão e / ou prolongada ou de pressão em combinação com cisalhamento.

Lesão por pressão não estadiável:
Lesão da pele e do tecido com perda de espessura total em que a extensão do dano tecidual dentro da úlcera não pode ser confirmada porque é obscurecida por uma necrose ou escaras (Slough). Se necrose ou escara é removida, uma lesão pressão estágio 3 ou 4 será evidenciada.

Lesão profunda por pressão
Apresenta lesão com aspecto vermelho escuro não branqueável, marrom ou coloração arroxeada da pele intacta ou não-intacta, com área localizada da persistente não branqueável vermelho escuro, marrom, manchas roxas ou separação epidérmica revelando um leito da ferida escura ou bolha com sangue. A ferida pode evoluir rapidamente para revelar a real extensão da lesão tecidual.

Lesão por pressão relacionada a dispositivo
Lesões por pressão relacionada ao dispositivo aplicado para fins de diagnóstico e/ou terapêutico. A lesão por pressão nesse aspecto geralmente está em conformidade com o padrão ou forma do dispositivo. Essa lesão deverá ser aplicada o sistema de estadiamento.

Lesão por pressão relacionada a dispositivo
Lesões por pressão relacionada ao dispositivo aplicado para fins de diagnóstico e/ou terapêutico. A lesão por pressão nesse aspecto geralmente está em conformidade com o padrão ou forma do dispositivo. Essa lesão deverá ser aplicada o sistema de estadiamento.

 

Referências

1) Brasil. Agência Nacional de Vigilância Sanitária – ANVISA. Implantação do Núcleo de Segurança do Paciente em Serviços de Saúde. Série Segurança do Paciente e Qualidade em Serviços de Saúde. Brasília; 2013.

2) World Health Organization. The conceptual framework for the international classification for patient safety: technical report. WHO; 2009.

3) Travassos C, Caldas B. Qualidade do cuidado em saúde e segurança do paciente: histórico e conceitos. In: ANVISA. Assistência segura: uma reflexão teórica aplicada à prática. Série Segurança do paciente e qualidade em serviços de saúde. Brasília; 2013.

4) Ministério da Saúde. Resolução – RDC n. 36, de 25 de julho de 2013. Diário Oficial da União, 2013.

5) Ministério da Saúde. Portaria n. 529, de 1º abril de 2013. Diário Oficial da União, 2013.

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9) BRASIL. AGÊNCIA NACIONAL DE VIGILÂNCIA SANITÁRIA – ANVISA. Assistência Segura: Uma Reflexão Teórica Aplicada à Prática. Série Segurança do Paciente e Qualidade em Serviços de Saúde. Brasília, 2013.

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11) Wachter RM. Understanding patient safety. 2nd ed. New York: McGraw-Hill; 2012.

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14) Institute of Medicine [IOM]. To err is human: building a safer heath system. Washington, DC: National Academic Press; 2000.

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16) Oliveira C. Infecção hospitalar, epidemiologia, prevenção e controle. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan; 2005.
17) Ministério da Saúde. Portaria n. 2.616, de 12 de maio de 1998. Diário Oficial da União, 1998.

18) Instituto para as Praticas Seguras no Uso dos Medicamentos. Nomes de medicamentos com grafias ou som semelhantes. Boletim ISMP Brasil 2014.

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