[Artigo] Como as instituições de saúde podem driblar as subnotificações de incidentes e eventos adversos?

Resumo
Superar a subnotificação de incidentes e eventos adversos é um passo fundamental para transformar dados operacionais em aprendizado e garantir a segurança do paciente nas instituições de saúde. Embora a RDC nº 36/2013 da Anvisa determine diretrizes claras para a gestão da qualidade, o receio de retaliações legais ou disciplinares ainda afasta os profissionais do ato de registrar falhas assistenciais. Para contornar esse obstáculo, as organizações precisam adotar uma abordagem multidimensional que combine o fortalecimento da cultura de segurança, treinamentos contínuos e o uso de sistemas eletrônicos sigilosos e intuitivos. Ao assegurar a confidencialidade, realizar auditorias internas periódicas e focar a análise de causa-raiz na melhoria de processos — e não na culpabilização —, as lideranças constroem um ambiente de confiança no qual a notificação é valorizada como um compromisso ético e uma oportunidade constante de evolução institucional.
Principais Tópicos Abordados
- O Desafio da Subnotificação: Como o medo de punições, o receio de exposição e a falta de garantias inibem os registros de incidentes, prejudicando a gestão da qualidade hospitalar.
- Diretrizes da RDC nº 36/2013 (Anvisa): As normas regulatórias que exigem a proteção dos relatórios de notificação, a proibição de retaliações e o alinhamento com sistemas seguros de gestão de risco.
- Construção de uma Cultura de Segurança: O papel indispensável da alta gestão em encorajar o reporte espontâneo de falhas, transformando o ato de notificar em responsabilidade compartilhada.
- Tecnologia e Canais de Comunicação Confidenciais: A importância de disponibilizar sistemas eletrônicos com formulários intuitivos e estruturados, assegurando o anonimato e o sigilo das informações.
- Capacitação e Educação Continuada: O desenvolvimento de treinamentos periódicos para conscientizar as equipes sobre como notificar e evidenciar os benefícios práticos do registro para o dia a dia assistencial.
- Auditorias Internas e Análise de Causa-Raiz: A realização de auditorias regulares e investigações aprofundadas para identificar falhas sistêmicas, mitigar riscos e implementar planos de ação eficazes.
Conteúdo
Ter uma gestão eficiente da segurança do paciente é imprescindível e inegociável nas organizações de saúde. Eventos adversos e incidentes, mesmo os que não causam danos significativos aos pacientes, desempenham um papel relevante no processo de melhoria contínua dos serviços de saúde. No entanto, a subnotificação desses incidentes continua a ser uma barreira significativa para a obtenção de dados precisos e, consequentemente, para aprimorar a segurança do paciente.
A Resolução de Diretoria Colegiada (RDC) 36 da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA), publicada em 2013, estabeleceu diretrizes claras para a gestão da qualidade em serviços de saúde. Contudo, a subnotificação de incidentes persiste na maioria das instituições, devido aos receios relacionados à responsabilidade legal e ao medo de consequências negativas. Para superar esse desafio, as organizações devem adotar uma abordagem multidimensional.
Em primeiro lugar, as instituições de saúde devem criar um sistema de gestão da qualidade que inclui o estabelecimento de uma cultura de segurança organizacional, na qual todos os membros da equipe se comprometam em relatar incidentes, independentemente da gravidade ou da possível culpabilidade. As lideranças das organizações de saúde devem incentivar uma cultura em que relatar eventos seja visto como um ato de responsabilidade e não de culpa.
Em seguida, é necessário estabelecer um programa de treinamento e capacitação contínuos, a fim de assegurar que os colaboradores estejam cientes das políticas e procedimentos relacionados à notificação de incidentes. Este deve enfatizar a importância da notificação e destacar os benefícios para a segurança do paciente ao registrarem os incidentes na instituição.
Além disso, a criação de canais de comunicação eficazes deve ser uma prioridade. As organizações de saúde devem fornecer sistemas eletrônicos com formulários estruturados que apoiem o notificante no desenvolvimento do registro de forma clara e confidencial. Também é indispensável compartilhar informações em reuniões regulares para discussão sobre qualidade e segurança do paciente.
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