[Artigo] Disclosure: qual é o papel da liderança na comunicação de eventos adversos?

Resumo
O disclosure é o processo transparente e empático de comunicação de incidentes e eventos adversos com dano aos pacientes e seus familiares, sendo um pilar fundamental da cultura de segurança e da gestão de riscos na saúde. Diante de um evento adverso, as prioridades imediatas devem focar na prestação de cuidados clínicos urgentes e na mitigação de riscos adicionais. Conforme a gravidade do caso aumenta, a participação e o engajamento da alta liderança e da gestão executiva tornam-se indispensáveis. Além de conduzir ou respaldar reuniões de comunicação pós-análise, as lideranças desempenham o papel estratégico de oferecer suporte emocional e técnico aos profissionais envolvidos — a chamada “segunda vítima” —, além de institucionalizar políticas claras de comunicação transparente em todos os canais da organização.
Principais Tópicos Abordados
- Conceito e Necessidade do Disclosure: Reconhecimento de que cada paciente e incidente são únicos, exigindo abordagens flexíveis e transparentes para atender às necessidades de informação de pacientes e famílias.
- Prioridades Imediatas Pós-Incidente: Foco primário no atendimento assistencial emergencial do paciente afetado e na contenção/redução de riscos imediatos para outros pacientes e para a equipe.
- O Papel Crescente da Alta Liderança: A condução do disclosure inicial pela equipe assistencial/lideranças envolvidas e a atuação de gestores em reuniões de disclosure pós-análise.
- Compromisso Público com a Cultura Justa: O papel dos membros do conselho e executivos em tornar pública a política de disclosure por meio do site, boletins e materiais educativos da instituição.
- Suporte à Equipe Assistencial (Segunda Vítima): A obrigação institucional de oferecer orientação, apoio emocional e respaldo aos profissionais de saúde envolvidos durante um momento de elevado estresse emocional.
Conteúdo
Ao desenvolver e implementar uma política ou processo de disclosure, deve-se entender que cada paciente e cada incidente de segurança do paciente são únicos. Por isso, o processo de disclosure requer flexibilidade para garantir que seja eficaz e atenda às necessidades de informação de cada paciente.
Após um incidente que tenha gerado dano ao paciente, a prioridade deve ser prestar atendimento e lidar com quaisquer emergências e preocupações imediatas para prevenir ou mitigar os danos. Dependendo da natureza do evento, um risco de segurança imediato também pode existir para outros pacientes e, às vezes, até para a equipe. Nesse caso, se possível, o risco de segurança deve ser abordado e reduzido o quanto antes.
Sempre que um paciente sofre um dano, seja qual for o motivo, o prestador ou organização de saúde tem a obrigação de comunicar ao paciente sobre esse dano e, se for o caso, também o evento que o ocasionou.
A participação da liderança em reuniões de disclosure pode ser apropriada e, por vezes , necessária. Quanto mais grave e complexo o dano, maior a probabilidade do paciente esperar que a liderança e os representantes administrativos participem da discussão no momento apropriado.
Durante reuniões posteriores e, particularmente, no disclosure pós-análise, representantes da liderança e da gerência tendem a assumir papéis de protagonismo com a alta liderança, conforme oportunidades e capacidades pessoais.
O apoio da organização no disclosure inicial pode incluir o fornecimento de aconselhamento à liderança sobre a melhor forma de comunicação, visando a melhoria no atendimento prestado, bem como na compreensão do que aconteceu no incidente de segurança do paciente. Tal suporte variará dependendo do evento, das habilidades de comunicação e do nível de conforto e estresse emocional dos profissionais de saúde envolvidos.
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