Material Educativo

[Artigo] Categorização da Força de intervenção

Resumo

A eficiência de uma investigação de incidentes hospitalares reside na habilidade de implementar ações corretivas estruturais que eliminem ou controlem perigos no nível do sistema, em vez de focar na atribuição de culpa individual. Utilizando a diretriz Action Hierarchy (Hierarquia de Ações) da metodologia RCA², formulada pelo National Patient Safety Foundation e pelo Institute for Healthcare Improvement (IHI), os serviços de saúde dispõem de uma matriz para classificar a força das barreiras de segurança entre fortes, intermediárias e fracas. Para uma melhoria de processos sustentada e de longo prazo, as equipes de qualidade devem priorizar intervenções de alta confiabilidade, relegando ações fracas (como treinamentos e revisões de políticas) a medidas meramente temporárias ou de suporte de proficiência.

Principais tópicos abordados

  • O Foco Sistêmico na Mitigação de Riscos: A importância de direcionar as conclusões das Análises de Causa Raiz para a resolução de vulnerabilidades estruturais de nível organizacional, superando a cultura punitiva contra indivíduos.
  • Origem da Hierarquia de Ações (Action Hierarchy): A adaptação do modelo criado pelo Centro Nacional de Segurança do Paciente do Departamento de Assuntos de Veteranos dos EUA (baseado na hierarquia de controles de segurança do trabalho do NIOSH) para a prevenção de erros assistenciais na medicina.
  • Classificação da Força de Intervenção (RCA²):
    1. Ações Fracas: Medidas que dependem exclusivamente do fator humano, memorização e esforço contínuo, apresentando baixa sustentabilidade quando usadas isoladamente. Exemplos: dupla verificação de dosagens, inclusão de avisos/alertas sonoros, criação de novos memorandos/políticas escritas e treinamentos teóricos.
    2. Ações Intermediárias: Soluções que diminuem o erro ao otimizar processos de comunicação, ergonomia cognitiva e carga de trabalho. Exemplos: ferramentas de comunicação padronizadas (SBAR e read back), checklists (como o de cirurgia segura), treinamentos com simulação realística, redução de distrações na programação de bombas, eliminação de itens com nomes/sons semelhantes (LASA), adequação de escala de pessoal e otimizações em softwares médicos.
  • Fluxo de Implementação das Ações Corretivas: O roteiro em seis etapas que compreende desde o brainstorm de ideias para cada causa raiz, a classificação obrigatória de ao menos uma ação forte ou intermediária por plano de ação, a submissão para aprovação da alta liderança, até a designação de responsáveis externos e datas limites de execução para o monitoramento contínuo.

Conteúdo

Neste artigo abordaremos a categorização da força de intervenção.

Para obter uma investigação de incidentes completa e robusta, existem etapas importantes, como utilização da base conceitual da OMS, criação de um time de especialistas, esgotamento da análise de causa raiz através das ferramentas da qualidade, entre outras.

No entanto, todo processo de investigação resulta em uma etapa muito importante, que é a identificação e implementação de ações para eliminar ou controlar os perigos, ou vulnerabilidades do sistema que foram identificados a partir dos fatores contribuintes.

Portanto, as equipes de investigação devem se esforçar para identificar ações que evitem a recorrência do evento ou, se isso não for possível, reduzir a gravidade ou consequências, caso ocorra novamente.

Nesse contexto, surge a classificação “categorização da força de intervenção”, “Action Hierarchy”, da metodologia RCA² (Root Cause Analysis and Actions), que apoiará as equipes na identificação de ações mais fortes, que forneçam melhoria sustentada do sistema. Em 2001, “The Action Hierarchy developed by the US Department of Veterans Affairs National Center for Patient Safety” foi modelado no National Institute for Occupational Safety and Health Administration’s Hierarchy of Controls, que tem sido utilizado por décadas em muitas outras indústrias para melhorar a segurança do trabalhador.

Segundo a metodologia, as equipes devem identificar pelo menos uma ação de força mais forte ou intermediária para cada plano de ação. Em alguns casos, pode ser necessário recomendar ações classificadas como mais fracas na hierarquia de ação como medidas temporárias, até que ações mais fortes possam ser implementadas.

Etapas para ações corretivas

Depois de completar o processo de investigação e análise, as equipes trabalham para identificar ações corretivas para mitigar a causa raiz do evento adverso usando as seguintes etapas:

1) Revise e esclareça a análise para todos os fatores contribuintes identificados. Concentre os fatores contribuintes aos problemas de nível de sistema e não em atribuir culpa a indivíduos…

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